Este artigo descreve a aplicação de um programa de enriquecimento, intitulado
“Odisseia”, junto de alunos com altas habilidades. O programa decorreu
ao longo de dois anos lectivos, tendo como paradigma teórico de referência
o modelo de enriquecimento escolar proposto por Renzulli. Foi aplicado a 64
alunos seleccionados com base nas suas elevadas capacidades cognitivas e
rendimento escolar (situados em torno do percentil 80), havendo 94 alunos
do mesmo ano escolar que serviram de grupo de comparação. Nos testes de
raciocínio os dois grupos de alunos evoluem do pré-teste para o pós-teste,
havendo um aumento mais expressivo nalguns desses testes por parte dos
alunos do grupo experimental embora não estatisticamente significativo. Na
área da criatividade, se o grupo experimental melhorou, face ao grupo de
comparação, do pré-teste para o pós-teste nos parâmetros da originalidade
e da elaboração nas tarefas figurativas, tais ganhos não se estenderam às
tarefas verbais. Estes valores poderão traduzir um maior impacto do programa
em conteúdos menos valorizados curricularmente (figurativos versus
verbais) e em dimensões da criatividade menos voltadas para a fluência e
flexibilidade e mais para a originalidade.
Autores
Miranda, Lúcia
Almeida, Leandro S.
Pereira, Marcelino
Almeida, António
Outros Autores
Universidade de Coimbra. Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação (ed. lit.)